Doze horas para daqui a pouco
Era uma noite quente de verão. Os ponteiros do relógio indicavam: faltavam apenas dois minutos para as 22 horas e 49 minutos. Sim! Apenas dois minutos para as 22 horas e 49 minutos. O que isso significa? Nada! Absolutamente nada! Mas faltavam dois minutos para as 22 horas e 49 minutos. O calor da estação, o calor do instante, o calor do quarto. Um calor infernal. A cama de casal parecia um colchonete para os pombinhos que dividiam aquilo que costumava ser um ninho de amor, mas que, naquela hora, servia apenas para ele destilar o ronco ébrio de um dia de bebedeira; e, para ela, a peleja de encontrar uma posição, uma maldita posição, que desse fim à sua maldita insônia. E a merda do ronco não parava. E a merda do calor não passava. Nenhum ventilador conseguiria cumprir tal façanha. E nenhum protetor auricular conseguiria abafar aquele ronco desgraçado. A mulher, exausta pela labuta diária, e o filho da puta bêbado dormindo tranquilo — tranquilo como uma maria-fumaça velha dili...