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Mostrando postagens de dezembro, 2022

Eusseia

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São quase cinco horas da manhã. Os sabiás já quebraram o silêncio da madrugada. Há vida do lado de fora. Em breve será a vez dos bem-te-vis entregarem a localização dos cristos que já, ou ainda, perambulam pelas ruas. Bem-te-vis acordam cedo, mas não tão cedo quanto os sabiás. Os sabiás são os pássaros da alvorada. Iguais a eles, apenas alguns pobres assalariados que zumbisantes se arrastam aos seus ofícios em dias de feira. Quanto a mim, meus olhos estão abertos, mas é o mesmo que não estivessem. Óbvio! Não há luz no cômodo, e as cortinas continuam fechadas.  Nada vejo. Muito sinto. Tateio o quarto até encontrar a caixa de fósforo. Pronto. Risco o fósforo, queimo o mineral e, com muito cuidado para não apagá-lo, acendo o velho lampião. Como o divino digo: que haja luz! Nada! Continuo sem ver nada. O pavio está queimando. Os raios saem da chama do lampião, batem nas superfícies dos objetos, parte dos raios são absorvidos pelos objetos e a outra parte dos raios é refletida. Os raios...

Corda bamba

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Confissões infaustas e o teu desdém de sobrancelhas erguidas. Fria como a pedra de gelo que assola o uísque há tantas luas envelhecido. Brindando-me o mesmo apego que dedicas a uma muriçoca que, no que lhe concerne, brinda com o teu sangue em uma noite — dispensável mencionar: quente — de verão. Alheio à minha vontade de não ter mais vontades, uma desmedida indisposição de não se dispor. Nem mesmo para livrar uma, tão logo, alma. — Sinta-se à vontade. Corte o ar e teste a gravidade. Corte a corda e treine a apneia. Corte os vasos e jorre o rubro. Corte o que há de ser cortado. Carboidrato? Açúcar? Foda-se! Desde que use a ferramenta certa, corte! Sem espaços para erros. Sou coelho branco para tratar de tuas chagas. E eu, na dualidade que me consome, sigo mirando no não, e desejando o sim. Muriçoca de verão.