Eusseia
São quase cinco horas da manhã. Os sabiás já quebraram o silêncio da madrugada. Há vida do lado de fora. Em breve será a vez dos bem-te-vis entregarem a localização dos cristos que já, ou ainda, perambulam pelas ruas. Bem-te-vis acordam cedo, mas não tão cedo quanto os sabiás. Os sabiás são os pássaros da alvorada. Iguais a eles, apenas alguns pobres assalariados que zumbisantes se arrastam aos seus ofícios em dias de feira. Quanto a mim, meus olhos estão abertos, mas é o mesmo que não estivessem. Óbvio! Não há luz no cômodo, e as cortinas continuam fechadas. Nada vejo. Muito sinto. Tateio o quarto até encontrar a caixa de fósforo. Pronto. Risco o fósforo, queimo o mineral e, com muito cuidado para não apagá-lo, acendo o velho lampião. Como o divino digo: que haja luz! Nada! Continuo sem ver nada. O pavio está queimando. Os raios saem da chama do lampião, batem nas superfícies dos objetos, parte dos raios são absorvidos pelos objetos e a outra parte dos raios é refletida. Os raios...