"Tá lá um corpo estendido no chão"
Ouviu esse barulho? Batuque de tambores, pouco ortodoxos e recém-descarregados, anunciando um fim prematuro. Um longo ruído. Os tímpanos zunem. E em três, dois, um... Voilà! O choro de uma mãe solo corta o silêncio, lamentando o adeus prematuro ao filho. Um pato socialmente desgarrado, agora sem vida, vira manchete. Inversão do papel natural de coveiro. Receita diária de tragédia: camisa de escola à cabidela, cozida lentamente no asfalto quente. E, agora, de que serve? Costurar, lavar e quarar, para quê? Não tem mais valia. Oito da noite, em ponto. O menino vira estatística no telejornal. Mas esse não tem número na camisa. Apesar do sonho, não tem realização. Não tem gol, não tem comemoração. Só mais um fulano, senhor de uma história qualquer. Preto, pobre, fodido. Dirão: era o lugar errado, na hora errada . Culparão o acaso. Mas não foi o acaso! Um corpo estendido no chão. Uma vida resumida a um momento. Pique sem fantasia. Pique-esconde, pique-pega, polícia-e-ladrão... agora, a...