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Mostrando postagens de outubro, 2020

Um círculo vicioso

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Eu confesso. Tantos pensamentos estranhos passam por essa cabeça. Talvez — mas só talvez — o mais estranho deles seja a incontrolável vontade de sentar, olhar para o além e não pensar em — absolutamente — nada. Isso mesmo: esquecer de tudo. O diabo para o mundo! Mas só de pensar em não pensar em nada, me vejo imerso em um círculo vicioso de pensar e não querer. Logo penso que não pensar é humanamente impossível. Dentro de minha obsessão em pensar em uma forma de não pensar, não tarda a surgir a grande, a incessante, a incontrolável vontade de: sentar, olhar para o além e não pensar em — absolutamente — nada. Como não pensar na Lua?

Mais uma dose?

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Ela mal conseguia abrir os olhos. Suas articulações, duras como se tivesse dormido dentro de uma geladeira, doíam feito a porra. Olhou ao redor tentando descobrir onde diabos estava. Após muito esforço, reconheceu o banheiro de sua casa. "Ufa!" Deu um suspiro de alívio ao perceber que estava em casa. Logo entendeu o motivo de suas dores; afinal, dormir escorada em um vaso sanitário não é para amadores. Duas questões ainda lhe enchiam a cuca: como havia chegado em casa e por que sua cabeça doía tanto? Ambas foram respondidas em uma rápida constatação: — Que ressaca desgraçada! Mais uma dose?

A punhalada

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Solidão, ingrata, já não pede licença para entrar. Assenhoreou-se dos meus anos, varreu as minhas alegrias e apagou os meus planos. E a dor, verdadeira e morbosa, manifesta-se pela sua indiferença. O nosso teto desabou quando notei que as promessas desse novo amor — que mais se parece com um velho amor — não seriam cumpridas. A mim, o hiato. Não faz sentido tanto espaço em um colchão que sempre nos pareceu tão pequeno. Nessa escuridão — fúnebre — que tomou o nosso quarto, se é que ainda posso chamá-lo de nosso, sigo imóvel. Pronto para sentir a punhalada fatal que, finalmente, findará essa dor que me corrói o peito. Até lá, seguirei aqui, deitado, consente. Sonhando com o recomeço que nunca virá. A punhalada.

O êxodo das cinzas

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Eis o êxodo das cinzas. Rompendo barreiras políticas e geográficas, navegando léguas a fio em rios flutuantes. Parece mentira, mas não é. A ciência já comprovou, mas ainda há quem duvide. É assim mesmo. Há quem duvide, até, que uma unidade somada à outra unidade resulte em duas unidades. Sem muito esforço, provo que o resultado é três. Uma falácia se passa facilmente por verdade quando transformada em mantra. Basta culpar uma ideologia ou uma cor. Que tal o vermelho? Maldito vermelho! Viram? Simples assim. Agora jogue os novos fatos ao zéfiro. Espalhe-os aos quatro cantos do mundo. Munido de posses e influência, faz-se em um estalar de dedos. Mas eu não jogarei esse jogo sujo. Não eu! Não viverei de mentiras. E, por falar em mentiras, creditam ao Diabo a sua gênese. Caso verídico, conheço sua residência. Só há um "porém" nessa história: não acredito no diabo! Então, crendices à parte, como o mensageiro do caos, trago-lhes tristes novas: a noite chegou mais cedo. Os afortunado...