Rubro riacho
ATENÇÃO: conteúdo delicado. Uma mão no pau tentando segurar o mijo, e a outra mão na maçaneta tentando abrir a porta do banheiro. Uma, duas, três tentativas. A porta está fechada, é claro! — Tem gente. Resmungo uma obviedade freudiana. — Óbvio! Novamente resmungando. Sou um resmungão de mão-cheia. Agora também sou um ateu orando para o mijo não explodir o meu pau e, de quebra, manter a minha calça limpa. Deus, Oxalá, ou seja lá a divindade que rege essa porra toda, há de interceder por mim! Enquanto aguardo a intervenção divina, que não creio, sapateio como se pisasse em asfalto quente esperando o diabo do banheiro vagar. — Cerveja é foda! Digo, reflito e, tão breve, refuto. — É foda, mas é bom para um caralho! Agora, sim, condiz com minhas crenças. Escuto o barulho da descarga vindo do lado de dentro do banheiro. Em seguida, escuto o destrancar da porta e, finalmente, a vejo se abrindo. A vejo se abrir como um escravo hebreu assistindo ao instante em que Moisés ...