A lenda da cobra que mama
ATENÇÃO: conteúdo destinado a pessoas de NENHUMA IDADE . De lá de longe. Lá pr'os lados do açude Carcará. Pr'essas bandas longínquas, pra lá d'onde Judas perdeu as botas, morava a família do Zé Seca-Pimenteira. Esposo, esposa e uma criança recém-parida viviam numa erma casa de taipa. Sem forro e sem reboco. Casa simples, de dois cômodos: o de cozinhar e o de dormir. As necessidades faziam no mato. E vizinhança mais próxima, só a horas e mais horas de andada a pé. O sucedido se sucedeu numa noite de sexta-feira do dia 13 do mês de agosto. Tal qual farol, naquela noite, a lua cheia lumiava as esquinas solitárias do sertão. Da varanda, o esposo olhava pr'o céu como se conversasse por telepatia com o divino. Rogando por aquilo cuja voz não podia orar. Pensava na vida e na morte. Na varanda, o esposo tentava desfadigar a labuta do dia com uma boa dose de água-ardente. No rádio de pilha, o noticiário o avizinhava do resto do mundo. A hora antes da hora de dormir era a hora de...