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Mostrando postagens de maio, 2021

Senhoras e senhores, o hipócrita

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Senhoras e senhores, Respeitável público, Vocês estão prestes a presenciar o mais profano de todos os santos. O maior conhecedor do bem e do mal. Todo cuidado é pouco. Ele está à solta. Completamente descontrolado. Sem correntes. Sem algemas. Pronto para aprontar suas travessuras.   Este é o último aviso, senhoras e senhores. Tirem as crianças da sala, preparem os seus antiácidos, escondam os seus pertences, separem os seus calmantes. [...] Eu sei, a lista é longa, mas absolutamente necessária.   Sem mais delongas, sem mais embromação, sem mais enrolação, sem mais [...] sem mais. Depois, não venham dizer que eu não avisei. "Ah! Mas ele não disse que seria tão horrível." Pois estou avisando agora: será tão horrível!   Recado dado. Vocês estão prestes a ver algo que pode causar traumas irreversíveis à saúde mental de vocês. É sério! Irreversíveis!   Senhoras e senhores, agora sim, é chegada a hora. Tenho o desprazer de apresentar [...] o hipócrita!...

Saudoso, o amigo piramboia

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Como uma piramboia saindo da lama após a seca, ressurge aquele camarada saudoso das peripécias passadas. Traz consigo uma bagagem repleta de causos de um tempo em que jovens inconsequentes se aventuravam em busca de diversão. Pior! Em sua bagagem, carrega um enorme desejo de reviver o passado e torná-lo parte do presente outra vez.   Ah, caro saudoso! Me obrigas a perguntar: por que tanto saudosismo, meu Deus? Por quê? O mundo girou, o tempo passou, a barba cresceu, os cabelos caíram e, os poucos que restaram, se embranqueceram. Eu não sou mais aquele jovem de anos atrás.   Novos comportamentos requerem novas prioridades. Eu mudei! Sou o mais novo velho da paróquia. Ou, quem sabe, o velho mais novo da paróquia? Sei lá. Tanto faz! Independente disso, assumi a condição de velho — pelo menos, por ora — e velho serei.   E, por favor, não venha me acusar de deserção. Não estou dizendo que não guardo apreço pelos velhos camaradas. A minha mudança particular não m...

O idiota e o burro

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Esta é a triste história de um pobre burro que, infortunado, cruzou o seu caminho com o caminho de um idiota. Um idiota que dispensa descrição — é apenas um idiota.   O idiota arreia o burro. Pobre do burro! Só queria aprontar as suas burrices em paz. O idiota monta o burro e sai em cavalgada. O burro se pergunta por que a vida é tão ingrata.   O idiota avança estrada afora, graças ao esforço do burro. Sob chicotadas, o burro sonha com uma mísera recompensa. Quem sabe uma cenoura? Mas o idiota não dá a mínima para os sonhos do burro, apenas vislumbra o seu destino.   Fadigado, o burro já não se aguenta em pé. O idiota segue chicoteando-o.   — Mais rápido! Mais rápido! — insiste o idiota.   O, agora, finado burro morreu de exaustão.   Como disse no início, esta é a triste história de um pobre burro. Quanto ao idiota, continua se lixando para o burro — afinal, não passa de um idiota.   O fantasma de um burro.

Utopia

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O fim. Soaram as trombetas anunciando o fim. Ao toque de O Guarani, os cavaleiros do apocalipse foram apresentados; mas ninguém deu a mínima para A Hora do Brasil. Acompanhei tudo de perto. Da minha janela, vi um estranho mundo de seres estranhos que são reais. Gostaria que fosse fé — ou ignorância —, mas é só indiferença.  São verdadeiras máquinas de se lixar aos fatos. Até tentei acreditar em um porvir. A vida deve ser mais fácil para quem crê, mas não consegui viver de mentiras. E eu que pensava estar ao lado daqueles que fariam a revolução? Descobri estar ao lado daqueles que sonhavam com a revolução.  Não fizemos o nosso dever de casa e estamos todos de castigo — ou quase todos. Por isso, resolvi deixar os antigos sonhos de lado. Sonhos foram feitos para se realizarem, e eu estou farto de esperar o impossível. O meu único sonho, agora, é o de não sonhar; mas, provavelmente, estou me enganando outra vez. Ao menos, sonhar — ainda — é de graça. O início.