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Mostrando postagens de janeiro, 2021

Silêncio

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Está escutando? Não? Exatamente! Este é o silêncio. Deleite-se, Mas não se acostume. Em breve, ele será quebrado. Silêncio.

F***-se!

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Cometeste um desaforo atroz. Destruíste a concepção transgressora por trás do ato de proferir xingamentos. Empossaste-te do brado de rebeldia de um coletivo cujo vocabulário nato e marginal, agora, jaz mudo, incapaz de te dar o adjetivo que mereces.  Por ora, contento-me em te chamar pelo teu devido sobrenome — embostelado — que, por si só, é o sumo de todos os ultrajes, sinônimo de todos os insultos.  Não obstante, visto que és a própria encarnação do impropério e, tão somente, um agafanhador do linguajar de outrem — indigno de te assenhorar de palavras de magnitudes desmensuráveis — reivindico a posse dos palavrões. Intento a restituição total, sem negociatas e sem exceções.  Para mim, basta! Renuncia aos palavrões ou não me responsabilizo pelos meus atos!  E tenho dito! F***-se! P.S. — Quanto às tuas hemorroidas, não te preocupes. Duvido muito que alguém, em sã consciência, intente em satisfazer os seus, mais caliginosos, desfastios carnais com elas.

Fantasmas do passado

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Na penumbra deste quarto quente, a luz da TV é ofuscada pela fumaça do cigarro. Um filme antigo é a minha única companhia. De nada adianta. O discurso de um mocinho chato me soa como ruídos ininteligíveis.  Meu cérebro e meus pensamentos trabalham em dicotomia: um quer me ver vivo, o outro não.  Fantasmas do passado ganham forma e me assombram sem um pingo de piedade. O sono, que já deveria ter chegado há muito tempo, parece não vir. Só me resta recorrer ao remédio destilado dos abandonados da noite, sem nunca me esquecer de que todo remédio tem seu efeito colateral.  A cada gole no uísque, minha cabeça se encharca de pensamentos sombrios. Pensamentos que me acompanham há muito tempo.  Meus fantasmas se tornam mais e mais fortes. O pior de tudo é que são fantasmas que carrego sem merecer.  Sou apenas um pobre diabo arrependido daquilo que não fiz. E, se não fiz, foi porque descobri que ruim não é ter pensamentos sombrios; ruins são os seus motivadores.  Enq...

A velha rezadeira

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Esta história, que talvez em minhas mãos tenha virado uma estória, conta o dia em que Amanda e eu conhecemos uma velha rezadeira. História ou estória, pouco importa. O que vale de verdade é a lembrança boa que ela nos traz. É ocês! É o casal que os santos anunciaram. Sim! Os santos me contaram. E sim, eu falo com os santos! Sou assim com eles, e eles são assim comigo. Me disseram que ocês passariam por essas bandas no dia de domingo. Neste exato dia, nesta exata hora e neste exato momento. E os santos nunca erram! Garanto a minha afirmação. Mas desculpem a deselegância. Deixem-me apresentar. Sou uma velha rezadeira, conhecida do litoral ao sertão. Rezo por gente, bicho e planta. Já rezei de um tudo neste mundão. De menino novo a senhor velho. Até galinha eu já rezei. Já rezei cabrito, cavalo e cachorro, sem me importar com a linha. Pode acreditar, quem me conhece não se espanta. É só ter coração bom para ganhar uma oração. Simbora deixar de embromação. Vamos ao que interessa, porque o ...