Cometeste um desaforo atroz. Destruíste a concepção transgressora por trás do ato de proferir xingamentos. Empossaste-te do brado de rebeldia de um coletivo cujo vocabulário nato e marginal, agora, jaz mudo, incapaz de te dar o adjetivo que mereces. Por ora, contento-me em te chamar pelo teu devido sobrenome — embostelado — que, por si só, é o sumo de todos os ultrajes, sinônimo de todos os insultos. Não obstante, visto que és a própria encarnação do impropério e, tão somente, um agafanhador do linguajar de outrem — indigno de te assenhorar de palavras de magnitudes desmensuráveis — reivindico a posse dos palavrões. Intento a restituição total, sem negociatas e sem exceções. Para mim, basta! Renuncia aos palavrões ou não me responsabilizo pelos meus atos! E tenho dito! F***-se! P.S. — Quanto às tuas hemorroidas, não te preocupes. Duvido muito que alguém, em sã consciência, intente em satisfazer os seus, mais caliginosos, desfastios carnais com elas.