O mito de Lázaro
O clima fúnebre impregnava o ambiente. Todos os presentes cantavam cânticos para guiar a alma do defunto para um caminho de paz e luz. Aos prantos, a viúva era consolada pela família. Ainda incrédulos, parentes e amigos fizeram questão de comparecer e dar o último adeus a um velho camarada que, de veras, deixará saudade. O caixão estava posicionado bem no meio do cômodo. Ao lado dele, alguns candelabros de aço suportavam velas acesas que penumbravam o lugar. As muitas flores aliviavam o cheiro da morte. Os idosos se sentaram nas poucas cadeiras disponíveis. Os mais jovens suportavam o cansaço e a tristeza de pé. Café e biscoitos ajudavam a manter os convidados acordados madrugada adentro. — Quem diria? Lamentou um. — Ainda moço. Lamentou outro. — Pois é! O um que iniciou as lamentações concordou com o lamento em forma de resposta do outro. Tanta vida pela frente e um escorregão idiota colocou tudo a perder. Ao menos era o que parecia. — Morto se mexe? Perguntou um terc...