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Mostrando postagens de setembro, 2025

Mamirauá

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Caralho! Tanto sofrimento. Tanta dor. Que falta me faz o guaraná, […] o açaí e o tucumã, […] o tucupi, o tacacá. Tudo isso.  Se aquieta! Eu explico. Ou, tento.  Um dia larguei o vale do Paraíba. Troquei pelo acarajé, pelo vatapá.  Depois desviei rota pra's bandas de lá do cerrado. Jurubeba, buriti, piqui, cajuí e aquela manga-rosa cheia de cristais.  Inquieto e decidido, fui pro estado da negação. Nego! Claro que nego! Nego quantas vezes tiver que negar.  Só não nego o meu amor, nata do estado da negação, mas que subiu o Solimões até se perder de vista.  No seu lugar deixou uma alergia a camarão, uma abstinência e o meu estado repleto de negação.  Ela é o meu pleonasmo necessário, a abundância que não cessa. Ela é a minha casa.  Baião de dois. Nós dois. Por favor, nós dois! […] Agora não tem nós dois. […] Não tem.  Nenhum de nós. O rio levou. Mas, por favor, diga a ela: em breve terá. Diga a ela. Em breve terá guaraná, açaí e tucumã, tucupi, ...

Dois pontos: um pecador convicto

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Em tanto  —  talvez quanto  —  disse-me-disse, me disseram um tanto.  Disseram tanto que diabo não pode, ao invés: há de ser santo! E eu, que sabia que não era santo, me caguei!  Fiz das tripas coração e dos ovos a minha estrada. Fui tentando, e falhando. Rachando uns ovos aqui. Esmagando outros acolá.  Enfim, falhei rudemente. Não dava pra esperar outra coisa de uma criança cuja memória não era bem uma memória. Talvez uma vaga lembrança.  Você acha mesmo que eu lembro os dez mandamentos de cor e salteado?  Você acha mesmo que um dia eu já soube? Ave Maria? Pai nosso? Salve Rei? Credo? Ave Maria e cruz credo! Na prova pra santo, fui reprovado umas seis vezes. Talvez sete — sete é número de mentiroso. Todas reprovações por mérito e com louvor.  Mas persisti. Não queria dar o desgosto à minha mãe de ser a única criança do bairro sem diploma de santo.  No fim das contas, capenga, passei.  Nas costas largas, é bem verdade. Graças à...

Um belíssimo de um merda

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Precisa de ajuda? Não me pergunte como! Afinal, sou o melhor do melhor em não ser o melhor em porra nenhuma.  Do fracasso sou a pessoa, o adjetivo e o verbo. Fracasso auto-imperativo.  Fica assim: Fracasso, o fracassado, fracassou.  E, sem sombras de dúvidas, também sou o complemento que, indubitavelmente, potencializa o verbo.  Agora: Fracasso, o fracassado, fracassou outra vez. Um baita de um fracassado.  Mas, vida que segue.  Vida que segue? Pra quê?  Como: pra quê? É obvio!  Ao tempo que me sinto o pior sendo o que sou; sendo o que sou, sou o melhor em: ser o pior! O que não me tem utilidade alguma, eu sei. Paciência! Mas, sou! É isso. Ponto. Sou aquele que de tanto tentar ser, não sabe o que é, mas sabe o que quer ser. Por ora, apenas sou o que sou, e não o que quero ser. Sou a cerveja sem álcool, o cigarro sem nicotina, o espelho ao avesso, o cavalo paraguaio que morre na praia.  Sou um punhado de migalhas do que gostaria de ser. Migalh...

Ao padre, com carinho

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Um dia direi ao padre Ernesto, com quem costumeiramente fumo um cigarro e tomo um vinho por detrás da igreja:  — Padre, sou ateu! Não satisfeito, completarei:  — Sou entregue aos vícios, padre. Da meretriz quero o gosto e o corpo. Entre as Marias, predileção à Madalena. Do carteado quero o gozo e o troco.  Dos outros vícios, como já dito, a gente costumeiramente compartilha n'outra cena.  E se, por um acaso, o padre vier a se queixar; retrucarei: — À obrigação da rima, verso livre. À anarquia, regras. Ao ateu, deus.  Afinal, do que é feita a descrença senão a crença.  À existência d'uma, a existência d'outra. À inexistência da outra, a existência d'uma.  No credo não creio, mas, pouco me importa se crês tu.  E se a birra do padre firmar, de imediato aviso: irei com meus vícios pr'outras bandas.  Provavelmente um bar. INRI.

Dez minutos ou dois gols: escândalo do dia

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De quatro, de rabo, de diabo a quatro. Mas vale uns quatro de lado do que um quatro alado.  Ao lado, onde já se viu número de asas? Se não vi, duvido. Se duvido, duvido. Duvido e ponto.   De quatro,  O cinco fica de fora.  Bem-feito! Quatro é par e cinco é ímpar. E, por sorte, não sou o quinto. Quatro é par e cinco é ímpar. De quatro, de lado, de diabo a quatro. O um que se folgue,  o dois que aproveite,  o três que se deleite, o quatro que regozije e o cinco que se lasque. Diabo.