Mamirauá
Caralho! Tanto sofrimento. Tanta dor. Que falta me faz o guaraná, […] o açaí e o tucumã, […] o tucupi, o tacacá. Tudo isso. Se aquieta! Eu explico. Ou, tento. Um dia larguei o vale do Paraíba. Troquei pelo acarajé, pelo vatapá. Depois desviei rota pra's bandas de lá do cerrado. Jurubeba, buriti, piqui, cajuí e aquela manga-rosa cheia de cristais. Inquieto e decidido, fui pro estado da negação. Nego! Claro que nego! Nego quantas vezes tiver que negar. Só não nego o meu amor, nata do estado da negação, mas que subiu o Solimões até se perder de vista. No seu lugar deixou uma alergia a camarão, uma abstinência e o meu estado repleto de negação. Ela é o meu pleonasmo necessário, a abundância que não cessa. Ela é a minha casa. Baião de dois. Nós dois. Por favor, nós dois! […] Agora não tem nós dois. […] Não tem. Nenhum de nós. O rio levou. Mas, por favor, diga a ela: em breve terá. Diga a ela. Em breve terá guaraná, açaí e tucumã, tucupi, ...