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Mostrando postagens de setembro, 2020

Minha casa sem janelas

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Se, aos demais, sou enigma — Indiferente. Agradá-los não intento. Valia verdadeira É a sã consciência. E isso tenho — Tenho de sobra. Guardo-a aqui dentro, Em minha casa sem janelas, Sem adornos E de portas trancadas. As chaves, carrego comigo. Se invitado for, Revelo-te o interior.   Minha casa sem janelas.

De passagem

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Idas e vindas, Partidas e chegadas; Tudo depende de um referencial. De qualquer forma, Pouco importa — Estou apenas de passagem.   Estrada de terra.

O sábio que de tudo sabe

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Fiquei sabendo de um homem solitário que vive no alto de uma montanha. Me disseram que esse homem sabe, absolutamente, tudo nesta vida. Eu, curioso e cheio de inquietações que sou, fui à procura desse sábio. Subi a montanha, enfrentei frio e bestas, até me deparar com um casebre isolado. Bati à porta, olhei pela janela e, no casebre, estava um ancião. Ele estava sentado no chão enquanto preparava um chá feito de uma mistura de folhas e flores. O ancião me olhou, pediu que eu entrasse e perguntou o que eu queria. Entrei e respondi que era uma pessoa cheia de dúvidas e inquietações. Ele balançou a cabeça com um sinal de afirmação, demonstrando entender o que eu queria dizer, e pediu para que eu prosseguisse. Prossegui perguntando se ele poderia me ajudar. O ancião me perguntou quais eram as minhas dúvidas e inquietações. Eu havia preparado uma lista para ter certeza de que não esqueceria nenhuma pergunta. Entreguei-a ao ancião, que leu a minha lista calmamente. Ao acabar de ler, ele me o...

Daqui de casa

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Oh, Deus! Grito a plenos pulmões: socorro! Por favor, escute a prece de um pobre ateu. Sim, um ateu — daqueles — convicto de Sua magnânima não existência. Mesmo assim, eu suplico!  E não é que eu tenha dado o braço a torcer. Não! Continuo descrente. O mesmo bom e velho ateu de sempre. Mas sou um ateu que sabe assumir a derrota. E eu perdi. Perdi feio, de lavada.  Perdi a fé naquilo em que mais acreditava. Perdi a fé na humanidade. A mim, nada mais faz sentido. Então, pouco importa se sou um ateu apelando ao divino. Até porque, agora, só um milagre seria capaz de nos tirar do fundo do poço.  Pare de adiar o inevitável! Desisti de proferir o fim. Que as pessoas saiam de suas casas, que ocupem as cidades, que festejem, que ignorem os mortos e os feridos. Dane-se! Já não faz mais diferença.  Cansei de ser o chato, o louco, o radical. Que o carpe diem reine! Estão vendendo justificativas, a torto e a direito, para legitimar a negação. Não faltam escusas — que, quando enca...