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Mostrando postagens de março, 2021

Seis por meia dúzia

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Seis mais seis é igual a doze. E seis mais meia dúzia também. É doze, na certa! Da mesma forma, meia dúzia mais seis e meia dúzia mais meia dúzia são, igualmente, uma dúzia. Uma dúzia de doze unidades, é claro! Duvida? Problema vosso!  Direto da granja.

Castelo de cartas

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Pobre valete! Viu sua foto estampada no carteado e agora pensa que faz parte de uma trinca real. Ledo engano. Está tão distante de ser da realeza quanto um dois de paus.   Avante, valete! Vista a armadura, embainhe sua espada. Cumpra o dever de um jovem cavaleiro e defenda o casal real. E ai daquele que ousar questionar os motivos de um cavaleiro, sempre munido de suas conjunções adversativas. Valiosas armas que podem, até, não mudar a ordem das cartas, mas, ao menos, garantem noites de sono tranquilas. Assim, verdades continuam sendo inventadas, apenas para satisfazer as crenças de valetes enganados e, é claro, os desejos da realeza.   E, para cada verdade inventada, acrescente-se um andar ao nosso castelo de cartas, ao qual creditam pia confiança em sua total rigidez — sempre segurando o espirro, apenas por garantia. Enquanto isso, o nada nobre valete segue — convenientemente — as ordens reais e coloca sua saúde mental à frente da saúde mental alheia, à frente da v...

Dia de feira

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Ao trabalho  De pé às cinco para sair às seis. Café preto, pão na chapa e dois dedos de prosa — porque ninguém é de ferro. Se foi pênalti ou não, eu não sei; mas que o teu time é uma merda, isso eu tenho certeza! Um chorinho de café vai bem, obrigado. Mas agora é tchau e benção. Está na hora de eu bater o ponto. Trabalho... Jesus, Maria e José! Dá meia-noite, mas não dá meio-dia. Finalmente chegou a hora de matar quem estava me matando. Aceita vale-refeição? Maravilha! Prato feito e um ovo frito em cima do arroz. Gema mole, é claro! Refresco grátis? Como negar? O de groselha, por favor. Se não tem, tudo bem, também. E, depois do almoço, reina a preguiça de viver. Pode trazer a conta e um cafezinho para eu espantar o sono, por favor? De volta ao trabalho... Afrouxada a gravata, sorriso no rosto; só falta um chopinho para tirar o cansaço. Conversa jogada pro ar. Papo vai, papo vem; chope também. Para mim, bastou. Campeão! A saideira, por favor! E tem como pendurar essa? Assim que vir...

Lixo

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A minha destreza é canhota. Achei no lixo. E é assim que eu gosto, suja! Sem métricas, sem rimas e, às vezes, sem sentido. Posso até perder as vírgulas, mas não deixo de passar o ponto de vista. É a espontânea expressão de sentimentos indesejados pelo plural, mas sempre com o esmero de um desabafo marginal. A minha escola de ultrajes foi a escola. Onde mais seria? Por isso, não espere pudor no meu recreio. Divirto-me na lama, durante a noite, que é para ninguém me ver. Se me calhar um foda-se no meio destas linhas, foda-se! E, se isso te incomoda, c'est la vie ! Faça a fineza de esquadrinhar arte em outras freguesias.  Lixo.

Insônia

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São cinco e tantas da manhã. As primeiras pinceladas do sol já estão no céu, e o ar de sua graça expôs a minha desgraça. A própria desgraça refletida em um espelho trincado no banheiro.  Carneiros não pulam a cerca pelas bandas de cá — pelo menos, não os meus. De suas carnes, me alimentei; de suas lãs, fiz vestimentas. A verdade é que todos eles tinham nome e agora a culpa me consome.  Já tentei de tudo — ou quase — por algumas horas de paz. Quem sabe se eternas horas de paz não findariam a minha angústia? Eu sei! Cheguei ao limite e, confesso, olhando daqui a janela me parece um tanto atraente.  Na verdade, olhando daqui eu vejo a morte; e ela nem é tão feia como vendem por aí. A depender da vida, a morte pode ser, até, bem tentadora. Infortúnios perduram, tão somente, enquanto ainda há vida. Não há cansaço após a morte, não há dor após a morte — não para um ateu como eu. Só há o fim.  Exagerado? Talvez. Mas o que posso fazer se, às vezes, penso na morte? Não me jul...