Macetando o Apocalipse
João era um típico cristão fervoroso. Quarta geração de uma família evangélica. Ia à igreja na segunda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta, no sábado e, obviamente, no domingo, que é o dia oficial de ir à igreja. João era solteiro, parte por falta de opção, uma vez que as mulheres da igreja não se engraçavam muito para o seu lado; e parte por ainda não ter encontrado a sua cara-metade, com a qual iria copular, mas apenas com o intuito da procriação. João tinha as suas manias. Ao acordar, mal abria os olhos, ainda cheios de remelas, e corria para o oratório abrir uma página aleatória da Bíblia e tentar decifrar o que Deus havia preparado para o seu dia. João tinha pia certeza de que recebia mensagens do divino através das escrituras sagradas. No estilo daqueles passarinhos que tiravam a sorte das pessoas nos circos mambembes de outrora. João sempre sonhou em ocupar um cargo de liderança na igreja em que frequentava, mas nunca foi indicado a um. A João, o pastor dizia que ele ...