Cárcere de intimidades
Ninguém dá a mínima para as suas particularidades. Simplesmente não se importam. Praguejam a unidade em vez da desigualdade. Seus discursos são como pedras arremessadas em direção ao inocente. Tragédia iminente, prestes a derrubar um consciente. Eles estão prontos para empurrar o banco e assistir à corda acariciar o seu pescoço. Só existe uma regra neste jogo: se adapta ou te adaptam. Em cárcere de intimidades, a emancipação é preguiçosa. Julgamentos que aprisionam os desejos. Uma quimera chamada livre-arbítrio. Para os inconformados, anseio por uma única oportunidade — nada mais do que isso — de vivenciar o livramento. Ao dar-se, um milésimo de segundo para o mundo sair de cima de suas costas. Fácil? Nem um pouco. Mas a mim, inconformado que sou, bastou uma decisão. Entre uma infinidade de coisas que optaram por mim, escolhi a mais óbvia de todas. Escolhi ser eu. Cárcere de intimidades.