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Mostrando postagens de dezembro, 2020

O último a sair, apague a luz

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Alguns o chamam de maluco, outros o chamam de profeta. Eu o chamo de cientista. Independente, o anúncio já foi feito. Dessa vez, sem entusiasmo — "Eureka". A descoberta?! O fim está próximo! Não se trata de achismo, são fatos propagandeados. Os humanos — os grandes engenheiros — trazem consigo a lástima da destruição. Erramos como sociedade. Demoramos tempo demais para ressignificar nossas ideias, nossos ideais. Enfim, no fim, perdemos o fio da meada. E agora a ignorância pode ser uma dádiva — temporária. Ludíbrio de uma vida serena. — Garçom! A conta, por favor. Ela já está na mesa. Não importa quando, como ou aonde; iremos todos pagá-la. O último a sair, apague a luz.

A minha Maria

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Tantas Marias espalhadas por aí. Maria disso, Maria daquilo, Maria de cá, Maria de lá, Maria da Maria, ou só Maria mesmo.  Cada Maria com suas particularidades, suas individualidades. Nada mais normal. Algumas Marias são assim, outras Marias são assado. Em comum, talvez, somente o fato de as Marias carregarem o nome de uma santa.  E carregar o nome de uma santa está a milhas e milhas de distância de carregar o fardo de ser uma santa. E tudo bem não ser santa. Nem todo mundo nasceu para o divino.  Mas, digo, sem medo de errar, a minha Maria [...] a minha Maria é diferente. A minha Maria é especial! Talvez, e só talvez, ela também não seja uma santa. E isso pouco importa. Mas a minha Maria carrega consigo a benevolência das santas, a humildade das santas e — principalmente — a capacidade de amar como as santas.  Se exagero, pouco importa. Santa ou não, essa é a minha Maria. Uma Maria que sempre gostou de conversar, mas que seus gestos me ensinaram muito mais do que qua...

Nem se o destino tivesse aprontado

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Quem, "sã conscientizado", teria imaginado? Nem mesmo o mais bilaquiano dos poetas bilaquianos teria inventado um enredo tão alinhado. Ainda assim, sabes bem o quanto os bilaquianos me deixam irritado. O amor deve ser desredeado, sem métricas — livremente narrado. E assim será relatado o momento em que, por ti, me vi apaixonado. Arruinado estaria se, contra os fatos, tivesse pelejado. Nem sequer ousaria ter tenteado. Deixei o brio — tolo — de lado. Agora, neste exato instante, tenho aquele exato instante memoriado, muito bem guardado. Como se o ocorrido tivesse recém-terminado, ou melhor, iniciado. Afinal, não se trata de sentimento findado. Naquela noite de céu estrelado, naquele penumbrado gramado, eu — esse pobre diabo —, completamente deslumbrado. E o meu olhar fitado em teu solitário e descalço bailado. Garanto! O mais belo já avistado. Senti o meu corpo hipnotizado no remoinho do teu vestido rodado. Quando, enfim, encorajado e o teu nome questionado, me vi perdido em te...

O rapaz que era apaixonado pela estrela D'alva

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Um jovem rapaz. Nada mais do que isso. Como muitos outros em sua idade, um jovem rapaz apaixonado. Não poderia ser mais natural, mas nem todos compartilhavam dessa opinião. O motivo? Sua namorada. Talvez você a conheça. O jovem rapaz se dizia amante da estrela D'alva. Isso mesmo, a estrela D'alva — a deusa Vênus da Via-Láctea. E, conforme o próprio, o amor era recíproco. O jovem e a estrela formavam uma unidade, um casal. Um casal de hábitos noturnos — não poderia ser diferente. O jovem era feliz; a estrela também — nenhum ano-luz de distância era capaz de impedir a felicidade do casal. Mas esse amor incomum incomodava a sociedade. Fruto da estranha mania de separar as pessoas em caixinhas, colocaram o jovem rapaz na caixa dos loucos. E, como louco, foi enviado ao local onde os loucos habitam. Tentaram curar a sua loucura; afastaram o jovem rapaz de seu amor. Inconformado, ele tentou fugir uma, duas, três, quatro vezes — tentou quantas vezes mais fossem necessárias.  De tanto t...

Círculo de fogo

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Era uma vez o vento mudo. Era. Não é mais. O vento, mudo, vagava o mundo. Vagava, e continua a vagar, mas agora o vento não é mais mudo. Era uma vez o vento mudo que ganhou um urro. Era uma vez o vento mudo que deixou de ser mudo. Era uma vez um ex-vento mudo que de uma índia ganhou o urro. Índia, quando sonha com Anhangá, é sinal de mau presságio — tragédia anunciada. Naquela manhã, a índia passou a manhã ressabiada, com os olhos mirando o chão. A aparência de um dia normal não deixou o coração da índia se enganar. Seu coração doía por antecedência, mesmo sem saber o motivo.  A anunciação veio sob o sol a pino. Incrédula, a índia precisou esfregar os olhos para ter certeza de que não era uma visagem. Novamente, Anhangá. Agora, ele exibia uma imponente cauda de escorpião. Nos braços de Anhangá, havia uma criança. A índia conhecia aquela criança. O sinal dos caboclos não poderia ser mais claro. A índia gritou de desespero, compartilhando sua dor com o mundo.  A índia correu à a...