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Mostrando postagens de agosto, 2021

Van Damme e o rapto do menino dourado que, na verdade, era um dragão dourado — eu acho

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Qual é a cor do dragão branco de Van Damme? Lá estavam eles, dois encostados, sentados preguiçosamente no sofá — não poderia ser diferente. Com o controle remoto na mão, passeavam mundo afora através do aparelho de TV. O destino era incerto. De canal em canal, o universo se retraía e nada absorviam seus perdidos cérebros. Mas, porém, contudo, entretanto (e tudo mais), quem sou eu para julgá-los? Estou aqui, apenas, narrando a história de dois seres a quem sobravam afazeres a não se fazer. E cumpriam a árdua tarefa de não fazer nada com louvor.  Também pudera, com tantas opções disponíveis, tantas possibilidades, fica difícil encontrar o milho em meio a um mar de bosta. E, no final das contas, a atividade menos custosa que lhes restava era a TV. Na falta do que se fazer, o dedo pesa em cima do botão 'channel up' e os canais pestanejam na frente dos olhos de Barman e Mefistófeles. Companheiros de jornada preguiçosa, sem um pingo de coragem, no vagar vagabundo dos canais. Um a um,...

A gente finge

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Tem dias que a gente só quer que o dia acabe. Murcho e lento, o dia vai. Murcho e lento, o dia acaba. Durante o rotineiro somatório entre a treva e a aurora, a gente finge que dorme, finge que acorda e, depois, a gente finge que vive. Escalando fingimentos pilhados, a gente segue querendo que o dia acabe. É o que resta. O caracol.

É o que temos pra hoje

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Seis da manhã. Café passado. Ou isso... ou estou ficando louco; minha cama foi colocada no interior de uma torrefação e ninguém me avisou. Definitivamente, não estou ficando louco — ainda é cedo para peripécias. Já rolei e enrolei mais do que o suficiente. Coragem não me sobra, mas a labuta não escapa pelos ouvidos.  De pé e, apesar das tantas limonadas — com aguardente — que encarei na noite passada, ainda lucrei ao sair da cama com a cuca safa. Desbravo, sonolento, a casa até a cozinha... — Bom dia, amor! — Bom dia! Passei o café. Um esboço de sorriso, um beijo carinhoso na fronte do meu amor. Caneca em riste, café servido. O aroma. Um gole. O sabor. — Maldito presidente! Grão de café.

Nem ébrio!

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Foi-se o tempo! Aos olhos, os papéis se perderam. Por ora, dois valem um, e um não vale nada. Cinquenta centavos não compram — sequer — uma dose de cachaça. Nem ébrio! Dose.