Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2025

Eu queria ter fé

Imagem
Talvez, só talvez, as Três Marias  —  andarilhas das bandas lácteas que prendem as calças de um gigante cheio de testosterona  —  sejam as que me guardam.  Pai, filho, espírito santo e amém?  Uma ova! Maria, Maria, Maria e Maria. Três vezes Maria. Talvez, só talvez, nem sejam três Marias. Talvez sejam seis. Ou talvez sejam mais.  Não sei.  Talvez sejam 10, igual aos mandamentos. Talvez 12, igual aos apóstolos.  Mas tudo isso é puro achismo. Puro achismo.  Dando linha ao meu achismo; talvez, só talvez, algumas dessas Marias sejam Marias; talvez outras não, mas, talvez, só talvez, essas me guardem.  Vai saber? Me mostram o caminho, tais quais girassóis, ou o Cruzeiro do Sul.  Pelo sim, pelo não, e por tudo que há no meio disso, quase fazem um ateu ter fé.  Como? Eu não sei. Mas hoje estou rogando de joelhos, eu queria ter fé.  Haja fé para um ateu.  Dois barcos.

Memórias de uma primeira comunhão

Imagem
Um dia me lembrei do padre Sano. Acho que era Sano o nome dele. O padre Sano foi o padre da minha primeira comunhão. Na verdade, não me lembrei exatamente do padre Sano. Me lembrei de um episódio com o padre Sano no dia da minha primeira comunhão. Acho que, na verdade, me lembrei primeiro da minha primeira comunhão e, depois, do episódio com o padre Sano. Mas, no frigir dos ovos, me lembrei. Me lembrei, e lembro como se fosse ontem. Eu estava cagando de medo. Com o cu na mão. Me cagava porque estava prestes a enfrentar o confessionário. Era o meu debute. Pouco mais de dez anos de pecados acumulados, e eram muitos. Muitos desses, a grande maioria, cometidos após os seis anos. Como eu aprontei! A minha agonia foi longa, pois os formandos em Cristo eram chamados à confissão em ordem alfabética. Meus pais me escolheram um nome que se inicia com a letra V, uma das últimas do alfabeto. A ordem alfabética, às vezes, me frustra. Todo mundo lembra que A é de amor, B é de baixinho, mas ninguém s...