A punhalada

Solidão, ingrata, já não pede licença para entrar. Assenhoreou-se dos meus anos, varreu as minhas alegrias e apagou os meus planos. E a dor, verdadeira e morbosa, manifesta-se pela sua indiferença. O nosso teto desabou quando notei que as promessas desse novo amor — que mais se parece com um velho amor — não seriam cumpridas.

A mim, o hiato.

Não faz sentido tanto espaço em um colchão que sempre nos pareceu tão pequeno. Nessa escuridão — fúnebre — que tomou o nosso quarto, se é que ainda posso chamá-lo de nosso, sigo imóvel. Pronto para sentir a punhalada fatal que, finalmente, findará essa dor que me corrói o peito. Até lá, seguirei aqui, deitado, consente. Sonhando com o recomeço que nunca virá.


A punhalada.
A punhalada.

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