O sábio que de tudo sabe
Fiquei sabendo de um homem solitário que vive no alto de uma montanha. Me disseram que esse homem sabe, absolutamente, tudo nesta vida. Eu, curioso e cheio de inquietações que sou, fui à procura desse sábio. Subi a montanha, enfrentei frio e bestas, até me deparar com um casebre isolado. Bati à porta, olhei pela janela e, no casebre, estava um ancião. Ele estava sentado no chão enquanto preparava um chá feito de uma mistura de folhas e flores. O ancião me olhou, pediu que eu entrasse e perguntou o que eu queria. Entrei e respondi que era uma pessoa cheia de dúvidas e inquietações. Ele balançou a cabeça com um sinal de afirmação, demonstrando entender o que eu queria dizer, e pediu para que eu prosseguisse. Prossegui perguntando se ele poderia me ajudar. O ancião me perguntou quais eram as minhas dúvidas e inquietações. Eu havia preparado uma lista para ter certeza de que não esqueceria nenhuma pergunta. Entreguei-a ao ancião, que leu a minha lista calmamente. Ao acabar de ler, ele me olhou nos olhos, abriu um sorriso de canto de boca e disse que não sabia a resposta de nenhuma daquelas perguntas. Fiquei indignado, incrédulo, decepcionado. Então, perguntei ao ancião por que as pessoas diziam que ele sabia de tudo. Perguntei se ele era uma fraude. O ancião levantou os ombros com uma expressão de dúvida no rosto e, novamente, respondeu que não sabia. A raiva passou a tomar conta de mim. Após tanto trabalho, tantos perigos, ir embora para casa sem nenhuma resposta. O ancião — pacificadoramente — colocou a mão em meu ombro, me serviu uma xícara de chá e pediu para que eu me acalmasse. Continuou dizendo que não sabia as respostas para as minhas perguntas, mas sabia onde encontrá-las. Ao ouvir aquelas palavras, a esperança renasceu em mim. A alegria era tanta que uma lágrima escorreu pelo meu rosto. O ancião tomou um gole do chá, respirou fundo e me disse:
— Comece pelo Google.
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| O casebre do sábio ancião. |

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