O rapaz que era apaixonado pela estrela D'alva
Um jovem rapaz. Nada mais do que isso. Como muitos outros em sua idade, um jovem rapaz apaixonado. Não poderia ser mais natural, mas nem todos compartilhavam dessa opinião. O motivo? Sua namorada. Talvez você a conheça. O jovem rapaz se dizia amante da estrela D'alva. Isso mesmo, a estrela D'alva — a deusa Vênus da Via-Láctea. E, conforme o próprio, o amor era recíproco. O jovem e a estrela formavam uma unidade, um casal. Um casal de hábitos noturnos — não poderia ser diferente. O jovem era feliz; a estrela também — nenhum ano-luz de distância era capaz de impedir a felicidade do casal.
Mas esse amor incomum incomodava a sociedade. Fruto da estranha mania de separar as pessoas em caixinhas, colocaram o jovem rapaz na caixa dos loucos. E, como louco, foi enviado ao local onde os loucos habitam. Tentaram curar a sua loucura; afastaram o jovem rapaz de seu amor. Inconformado, ele tentou fugir uma, duas, três, quatro vezes — tentou quantas vezes mais fossem necessárias.
De tanto tentar fugir, começaram as retaliações. Os opressores que controlavam o lugar onde os loucos habitam acreditavam em punições curativas. Obviamente, não obtiveram sucesso. É provável que os opressores nunca tenham amado — ou, no mínimo, tenham se esquecido de como é amar. O jovem rapaz não iria desistir de seu grande amor — e não desistiu. Novas tentativas de fuga, novas retaliações. Retaliações piores, mais violentas. Retaliações que refletiram nos outros moradores do local onde os loucos habitam. Moradores revoltados, moradores revolucionários — avante, Joanas D'Arc, Napoleões e Guevaras; todos a postos.
Caos generalizado. Fogo, destruição, espancamentos e mortes; a fúria foi descontada no jovem rapaz. Passaram dos limites. Nunca mais ele foi encontrado.
Dizem que logo após o ocorrido, a estrela D'alva ficou ainda mais brilhante; dizem também que uma nova estrela surgiu ao seu lado no mesmo instante. A essa nova estrela, deram o nome do jovem rapaz.
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| O rapaz que era apaixonado pela estrela D'alva. |

É um texto que, para quem vive fora do padrão dá um frio na barriga. Um frio que nos acompanha a todo o momento. Mas a vontade de lutar, faz com que a todo momento nos dê mais vontade de não pertencer ao normal. Não cabe a nós a normalidade, pois esta é conformista. Então, todos os dias precisamos fugir e aguentar novas retaliações, sejam estas internas ou externas. E por mais que o normal lute para conter o nosso incontentamento, a rede de Joana D'arcs, Guevaras, Marielles, Dandaras... jamais irá deitar para o normal, pois essa caixa não nos cabem e ofusca o nosso brilho D'alva.
ResponderExcluirLuan, meu querido! Você não sabe como foi bom ler o seu comentário. Ainda mais vindo de uma pessoa que tem lugar de fala. Muito obrigado pelo carinho e pela amizade.
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