Fantasmas do passado
Na penumbra deste quarto quente, a luz da TV é ofuscada pela fumaça do cigarro. Um filme antigo é a minha única companhia. De nada adianta. O discurso de um mocinho chato me soa como ruídos ininteligíveis.
Meu cérebro e meus pensamentos trabalham em dicotomia: um quer me ver vivo, o outro não.
Fantasmas do passado ganham forma e me assombram sem um pingo de piedade. O sono, que já deveria ter chegado há muito tempo, parece não vir. Só me resta recorrer ao remédio destilado dos abandonados da noite, sem nunca me esquecer de que todo remédio tem seu efeito colateral.
A cada gole no uísque, minha cabeça se encharca de pensamentos sombrios. Pensamentos que me acompanham há muito tempo.
Meus fantasmas se tornam mais e mais fortes. O pior de tudo é que são fantasmas que carrego sem merecer.
Sou apenas um pobre diabo arrependido daquilo que não fiz. E, se não fiz, foi porque descobri que ruim não é ter pensamentos sombrios; ruins são os seus motivadores.
Enquanto isso, meus pulsos clamam pelo gosto da navalha, pelo sabor inconfundível do sangue escorrendo. Mas, como disse, sou apenas um pobre diabo assombrado pelos fantasmas da minha falta de coragem.
Ainda bem! Vida que segue.
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| Fantasmas do passado. |

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