Saudoso, o amigo piramboia

Como uma piramboia saindo da lama após a seca, ressurge aquele camarada saudoso das peripécias passadas. Traz consigo uma bagagem repleta de causos de um tempo em que jovens inconsequentes se aventuravam em busca de diversão. Pior! Em sua bagagem, carrega um enorme desejo de reviver o passado e torná-lo parte do presente outra vez.  


Ah, caro saudoso! Me obrigas a perguntar: por que tanto saudosismo, meu Deus? Por quê? O mundo girou, o tempo passou, a barba cresceu, os cabelos caíram e, os poucos que restaram, se embranqueceram. Eu não sou mais aquele jovem de anos atrás.  


Novos comportamentos requerem novas prioridades. Eu mudei! Sou o mais novo velho da paróquia. Ou, quem sabe, o velho mais novo da paróquia? Sei lá. Tanto faz! Independente disso, assumi a condição de velho — pelo menos, por ora — e velho serei.  


E, por favor, não venha me acusar de deserção. Não estou dizendo que não guardo apreço pelos velhos camaradas. A minha mudança particular não mudará a história do ontem, do anteontem, e et cétera, et cétera, et cétera. Talvez mude minha percepção em relação ao passado, mas o passado será sempre o passado.  


Então, que tal deixarmos o saudosismo para os causos? Deixemos o que ficou para trás lá atrás, e vida que segue. Se o bom do passado fosse o bom do presente, provavelmente ainda estaria vivo agora.  


Enfim, a chuva caiu, a piramboia saiu. Mas, ao contrário dela, escolhi não emergir. Não sou peixe, nem movido por instinto. A verdade, fui eu quem sumir.  


Fita
O tempo passa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nem se o destino tivesse aprontado

O rapaz que era apaixonado pela estrela D'alva

Círculo de fogo