Utopia
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| O fim. |
Soaram as trombetas anunciando o fim. Ao toque de O Guarani, os cavaleiros do apocalipse foram apresentados; mas ninguém deu a mínima para A Hora do Brasil. Acompanhei tudo de perto. Da minha janela, vi um estranho mundo de seres estranhos que são reais. Gostaria que fosse fé — ou ignorância —, mas é só indiferença.
São verdadeiras máquinas de se lixar aos fatos. Até tentei acreditar em um porvir. A vida deve ser mais fácil para quem crê, mas não consegui viver de mentiras. E eu que pensava estar ao lado daqueles que fariam a revolução? Descobri estar ao lado daqueles que sonhavam com a revolução.
Não fizemos o nosso dever de casa e estamos todos de castigo — ou quase todos. Por isso, resolvi deixar os antigos sonhos de lado. Sonhos foram feitos para se realizarem, e eu estou farto de esperar o impossível. O meu único sonho, agora, é o de não sonhar; mas, provavelmente, estou me enganando outra vez. Ao menos, sonhar — ainda — é de graça.
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| O início. |


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