Corda bamba

Confissões infaustas e o teu desdém de sobrancelhas erguidas. Fria como a pedra de gelo que assola o uísque há tantas luas envelhecido. Brindando-me o mesmo apego que dedicas a uma muriçoca que, no que lhe concerne, brinda com o teu sangue em uma noite — dispensável mencionar: quente — de verão. Alheio à minha vontade de não ter mais vontades, uma desmedida indisposição de não se dispor. Nem mesmo para livrar uma, tão logo, alma.

— Sinta-se à vontade. Corte o ar e teste a gravidade. Corte a corda e treine a apneia. Corte os vasos e jorre o rubro. Corte o que há de ser cortado. Carboidrato? Açúcar? Foda-se! Desde que use a ferramenta certa, corte! Sem espaços para erros. Sou coelho branco para tratar de tuas chagas.

E eu, na dualidade que me consome, sigo mirando no não, e desejando o sim.


Pernilongo mosquito muriçoca
Muriçoca de verão.

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