Os invisíveis

Morador de rua
Os invisíveis.


Era uma vez um homem...
Um homem como qualquer outro no mundo.  
Cabeça, tronco, sonhos, sentimentos...  
Todas essas coisas que qualquer ser humano possui.  

Era um homem muito pobre...  
Não tinha o que comer, não tinha um lar, e sua cama era de papelão.  
Vivia nas ruas da cidade,  
Revirando lixos à procura de sobras.  

Era um homem sofrido...  
À margem da sociedade, vivendo de migalhas.  
Sem companhia e sem amigos. Não tinha família.  
Só o vira-lata que o acompanhava, para baixo e para cima. Clichê, não?  

Era um homem que possuía um superpoder...  
Um superpoder que não lhe tinha serventia.  
Não enchia sua barriga, não o aquecia do frio...  
Não o protegia dos perigos da rua.  

Era um homem invisível!  
Pedia socorro e ninguém o enxergava.  
Era como se ele não existisse.  
Mas ele existia! Ele estava lá o tempo todo. Ninguém nunca notou.  

Era um homem bom,  
Mas ninguém sabia disso. A sociedade o julgava como mau.  
A mesma sociedade que o levou ao banditismo.  
Roubava, mas era para não morrer de fome.  

Era um homem como qualquer outro.  
Pensava como qualquer outro... Agia como qualquer outro.  
Colocou em prática seu plano de sobrevivência,  
Como qualquer outro faria.  

Era um homem...  
Deixou de ser.  
Perdeu a invisibilidade no momento em que pecou.  
Justo quando mais precisava ser invisível.  

Era um homem...  
Não era um santo!  
Mortalmente espancado por um monstro,  
Que se identificava como homem de bem.  

Era uma vez uma mulher...

Comentários

  1. "Era uma vez uma mulher..." triplica a invisibilidade e o descrédito. Se o recorte for a pele negra, então... 😦

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