Quem, "sã conscientizado", teria imaginado? Nem mesmo o mais bilaquiano dos poetas bilaquianos teria inventado um enredo tão alinhado. Ainda assim, sabes bem o quanto os bilaquianos me deixam irritado. O amor deve ser desredeado, sem métricas — livremente narrado. E assim será relatado o momento em que, por ti, me vi apaixonado. Arruinado estaria se, contra os fatos, tivesse pelejado. Nem sequer ousaria ter tenteado. Deixei o brio — tolo — de lado. Agora, neste exato instante, tenho aquele exato instante memoriado, muito bem guardado. Como se o ocorrido tivesse recém-terminado, ou melhor, iniciado. Afinal, não se trata de sentimento findado. Naquela noite de céu estrelado, naquele penumbrado gramado, eu — esse pobre diabo —, completamente deslumbrado. E o meu olhar fitado em teu solitário e descalço bailado. Garanto! O mais belo já avistado. Senti o meu corpo hipnotizado no remoinho do teu vestido rodado. Quando, enfim, encorajado e o teu nome questionado, me vi perdido em te...
Um jovem rapaz. Nada mais do que isso. Como muitos outros em sua idade, um jovem rapaz apaixonado. Não poderia ser mais natural, mas nem todos compartilhavam dessa opinião. O motivo? Sua namorada. Talvez você a conheça. O jovem rapaz se dizia amante da estrela D'alva. Isso mesmo, a estrela D'alva — a deusa Vênus da Via-Láctea. E, conforme o próprio, o amor era recíproco. O jovem e a estrela formavam uma unidade, um casal. Um casal de hábitos noturnos — não poderia ser diferente. O jovem era feliz; a estrela também — nenhum ano-luz de distância era capaz de impedir a felicidade do casal. Mas esse amor incomum incomodava a sociedade. Fruto da estranha mania de separar as pessoas em caixinhas, colocaram o jovem rapaz na caixa dos loucos. E, como louco, foi enviado ao local onde os loucos habitam. Tentaram curar a sua loucura; afastaram o jovem rapaz de seu amor. Inconformado, ele tentou fugir uma, duas, três, quatro vezes — tentou quantas vezes mais fossem necessárias. De tanto t...
Era uma vez o vento mudo. Era. Não é mais. O vento, mudo, vagava o mundo. Vagava, e continua a vagar, mas agora o vento não é mais mudo. Era uma vez o vento mudo que ganhou um urro. Era uma vez o vento mudo que deixou de ser mudo. Era uma vez um ex-vento mudo que de uma índia ganhou o urro. Índia, quando sonha com Anhangá, é sinal de mau presságio — tragédia anunciada. Naquela manhã, a índia passou a manhã ressabiada, com os olhos mirando o chão. A aparência de um dia normal não deixou o coração da índia se enganar. Seu coração doía por antecedência, mesmo sem saber o motivo. A anunciação veio sob o sol a pino. Incrédula, a índia precisou esfregar os olhos para ter certeza de que não era uma visagem. Novamente, Anhangá. Agora, ele exibia uma imponente cauda de escorpião. Nos braços de Anhangá, havia uma criança. A índia conhecia aquela criança. O sinal dos caboclos não poderia ser mais claro. A índia gritou de desespero, compartilhando sua dor com o mundo. A índia correu à a...
Seria a saudade... indefinível!?
ResponderExcluirNo mínimo difícil de definir. E para explicar a saudade na "luz da evolução"? Já pensou sobre isso?
ExcluirAí, quanta saudade!!!
ResponderExcluirQuanta saudade!!!
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