A chama ainda queima — por ora

Vejam todos quem bate à porta. É a morte! A destra ceifadora. Revigorada — fúnebre e taciturna. Desfilando a céu aberto, escoltada por seu exército, disposto a matar e a morrer. Exército de recrutamento interminável. Alistem-se já! Todos são, e sempre serão, recebidos de braços abertos. Basta retomar a rotina de outrora. Vida que segue — e mortes também. E para aqueles que acreditaram na estória de um "novo normal", parabéns! Vocês foram feitos de palhaços. Ou melhor, vocês foram feitos de soldados. Apresento-lhes o bom e velho normal disfarçado de novo, trajando máscara. Máscara que cobre mais do que a boca e o nariz. Ela também venda os olhos. Enceguecidos, não notam. Os vulneráveis continuam sendo sacrificados em nome do gozo dos opressores — agora aos montes. E os opressores seguem protegidos por muros sociais que segregam classes, cores e gêneros. Sejam todos bem-vindos ao exército da morte. Sejam todos bem-vindos à tragédia anunciada. Aos dispostos, avante! Afinal, vocês nunca morreram — ainda.


Fósforo
A chama ainda queima — por ora.

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