Domingo é o dia do diabo

Hoje é dia de me danar ao cacarejar de um galo velho. O despertar virá naturalmente. Farei o que me der na telha. Se — por ousadia — surgir algum convite inesperado, que seja para não fazer nada. E, olha, periga até recusá-lo, porque até o não fazer nada requer intimidade. Hoje é dia de uma branquinha para abrir o apetite — e que apetite! Sem essa história de miserê. Hoje é dia de passar o dia de pijama. Mais tarde, trocarei a roupa de cama. O sofá será o meu trono; a cerveja, o meu fausto; e a preguiça, o meu mantra. Tudo como o diabo gosta. Hoje o dia pede isso. Hoje é domingo. Dia de satisfazer o não fazer.


O cacarejar de um galo velho.
O cacarejar de um galo velho.

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