Nem se o destino tivesse aprontado

Quem, "sã conscientizado", teria imaginado? Nem mesmo o mais bilaquiano dos poetas bilaquianos teria inventado um enredo tão alinhado. Ainda assim, sabes bem o quanto os bilaquianos me deixam irritado. O amor deve ser desredeado, sem métricas — livremente narrado. E assim será relatado o momento em que, por ti, me vi apaixonado. Arruinado estaria se, contra os fatos, tivesse pelejado. Nem sequer ousaria ter tenteado. Deixei o brio — tolo — de lado. Agora, neste exato instante, tenho aquele exato instante memoriado, muito bem guardado. Como se o ocorrido tivesse recém-terminado, ou melhor, iniciado. Afinal, não se trata de sentimento findado. Naquela noite de céu estrelado, naquele penumbrado gramado, eu — esse pobre diabo —, completamente deslumbrado. E o meu olhar fitado em teu solitário e descalço bailado. Garanto! O mais belo já avistado. Senti o meu corpo hipnotizado no remoinho do teu vestido rodado. Quando, enfim, encorajado e o teu nome questionado, me vi perdido em teu sorriso estampado — tímido, envergonhado. E que resposta? E que nome? O mais genuíno já anunciado. Afirmo, sem medo de estar enganado. Nem se o destino tivesse aprontado e, a ti, outro nome ofertado, haveria de mudar-lhe o significado. Tornar-se-ia digno de ser amado. 


Passiflora.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O rapaz que era apaixonado pela estrela D'alva

Círculo de fogo