Ensinar a pescar?

O pregador ouviu o ronco da minha barriga. Ouviu de longe! De muito longe! Se vendeu como um homem sacro, um milagreiro que podia me salvar. Mas disse que, na vida, nada vem de graça. Para alcançar a graça, eu precisava dar a graça. 


Bem que eu gostaria, mas 10% de nada é nada. O pregador mediu a minha fé e disse que era pouca. Disse que esse era o motivo do meu calvário. Depois, veio com um sermão de que não podia me dar o peixe; disse que eu precisava aprender a pescar. Sem vara, linha e anzol?! Só se eu virar milagreiro também. Deus que me livre! A minha índole não tolera esse tipo de pecado.


O pregador contou a história de um homem que foi pregado em uma cruz. Disse que devemos seguir os ensinamentos desse homem. Mas o pregador deve ter trocado as bolas. Ele age como os homens que pregavam homens, não como o homem que foi pregado.


O pregador disse muita coisa, mas, por mim, nada fez. Nesta terra seca, onde os urubus rodeiam a minha cabeça, passo o dia à procura do que comer. As noites, mesmo com a fé desafiada, me ponho a rezar. Fazer o quê? Aprendi desde menino. É o que me resta: pedir a Deus para me ajudar. Só assim para findar a minha dor, porque, se depender do pregador, eu morro de fome.


Peixe
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