Dia de feira

Ao trabalho 

De pé às cinco para sair às seis. Café preto, pão na chapa e dois dedos de prosa — porque ninguém é de ferro. Se foi pênalti ou não, eu não sei; mas que o teu time é uma merda, isso eu tenho certeza! Um chorinho de café vai bem, obrigado. Mas agora é tchau e benção. Está na hora de eu bater o ponto.

Trabalho...

Jesus, Maria e José! Dá meia-noite, mas não dá meio-dia. Finalmente chegou a hora de matar quem estava me matando. Aceita vale-refeição? Maravilha! Prato feito e um ovo frito em cima do arroz. Gema mole, é claro! Refresco grátis? Como negar? O de groselha, por favor. Se não tem, tudo bem, também. E, depois do almoço, reina a preguiça de viver. Pode trazer a conta e um cafezinho para eu espantar o sono, por favor?

De volta ao trabalho...

Afrouxada a gravata, sorriso no rosto; só falta um chopinho para tirar o cansaço. Conversa jogada pro ar. Papo vai, papo vem; chope também. Para mim, bastou. Campeão! A saideira, por favor! E tem como pendurar essa? Assim que virar o mês, eu acerto. Sem falta! De volta para o lar, o resto da geladeira vira janta. Banho e cama. Todas as noites, na inevitável hora em que o cansaço predomina, me vêm à cabeça as palavras do meu pai: "Vai dormir que o teu mal é sono."

Amanhã tem mais trabalho.


Café preto no copo americano
Dia de feira.

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