Castelo de cartas
Pobre valete! Viu sua foto estampada no carteado e agora pensa que faz parte de uma trinca real. Ledo engano. Está tão distante de ser da realeza quanto um dois de paus.
Avante, valete! Vista a armadura, embainhe sua espada. Cumpra o dever de um jovem cavaleiro e defenda o casal real. E ai daquele que ousar questionar os motivos de um cavaleiro, sempre munido de suas conjunções adversativas. Valiosas armas que podem, até, não mudar a ordem das cartas, mas, ao menos, garantem noites de sono tranquilas. Assim, verdades continuam sendo inventadas, apenas para satisfazer as crenças de valetes enganados e, é claro, os desejos da realeza.
E, para cada verdade inventada, acrescente-se um andar ao nosso castelo de cartas, ao qual creditam pia confiança em sua total rigidez — sempre segurando o espirro, apenas por garantia. Enquanto isso, o nada nobre valete segue — convenientemente — as ordens reais e coloca sua saúde mental à frente da saúde mental alheia, à frente da vida alheia.
A verdade? Para a corte, somos curingas. E, como um típico bobo da corte, fui tolo em acreditar na igualdade das cartas. No início — bem no início — a esperança até deu o ar de sua graça, mas, diferente do que me disseram, foi a primeira a morrer. Não era para menos: afinal, qual cavaleiro trocaria suas grandiosas aventuras por uma prisão cheia de adornos, mordomias e comodidades? A plebe que lute!
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| Castelo de cartas. |

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