Jogo da vida — volte três casas


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Jogo da vida.


Uma dose, por favor! Pensando bem, pode deixar a garrafa. Se bêbado é o estado da verdade, de hoje em diante, esta será a minha estação. O ébrio que me habita tem sede, e ele está farto de se enganar.  


Sem querer ofender os poetas, mas não vejo valia em cobrar ovo de pato macho. O império do imperativo segue ditando a moda, a média e a mediana, mas ninguém nunca me perguntou em qual parte da curva me sinto confortável. Enviesam tendências e orquestram ranqueamentos para transformar nossas vidas em uma grande competição injusta, onde os papéis da minoria e da maioria se invertem.  


E ai daquele que ficar para trás! Será julgado e estará fadado ao eterno esquecimento, afinal, ninguém se lembra do segundo colocado. Mas eu digo: que se danem se não lembram do segundo colocado! Eu mal queria competir. E nem, ao menos, a segunda colocação me caiu.  


Inventam histórias e estórias — se é que isso seja possível — para nos moldar, para nos forçar a pensar que não pensamos. Assim, continuamos sendo cordeiros vigiados por lobos. Se um dia te disseram, e se você acreditou, que o grande irmão seria um estado totalitário, sorria! Você foi enganado. O grande irmão é privado e, provavelmente, você trabalha para ele sem receber um tostão furado por isso.  


Basta clicar em "aceito", seguir algumas políticas de privacidade, entupi-lo de dados e voilà: labuta digital, disfarçada de diversão, em troca de alguns corações vermelhos e polegares em riste. Não viu vantagem? Calma, ainda tem mais. O grande irmão também te poupa do trabalho árduo de pensar. Fornece um bombardeio de regras, obrigações e condições que, se não seguidas a finco — ou, pelo menos, fingindo segui-las a finco —, será considerado um ponto fora da curva.  


"Constitua uma família tradicional; arranje um emprego; não esse emprego, outro emprego; compre, mas compre dessa marca; veja o que eu quiser que você veja; goste do que eu disser que você deva gostar; e, principalmente, seja quem eu quiser que você seja".  


Viu? É o império do imperativo, cheio de imposições e inquisições que — se você parar para pensar um pouco, também perceberá — abarrota nossas vidas de "e se's" e "se's".  


E se eu não quiser pensar nos "e se's"? E se eu não der a mínima para os "se's"? E se eu, apenas, quiser ser o que eu quiser ser?  


Vendi minh'alma para o Diabo, mas fui ao inferno para recuperá-la. Agora, o meu único desejo é olhar no espelho e ver o meu próprio reflexo. De tanto brincar de ser quem eu nunca fui, acabei me tornando quem eu nunca quis ser. Aventurado, há tempo de recomeçar.  


É! Acho que já estou bêbado.  


Placa de retorno
Volte três casas.

Comentários

  1. Perls, psicólogo alemão disse: “Uma rosa é uma rosa, um elefante é um elefante”. Já imaginou se uma rosa “quisesse” ser um elefante ou vice-versa? Só nós humanos não somos conforme a nossa natureza e desejamos ser o que não somos. É isso o “normal”?...

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    1. Valeu pai!!!

      Já pensou se um humano quisesse ser um elefante ou, pior, uma rosa? Teria que aprender a fazer fotossíntese. Somos conforme a nossa natureza, assim como qualquer outra espécie, mas, talvez, o nosso incrível "poder" cognitivo (somado a diversos outros fatores externos) possibilitou que a nossa espécie fosse essa "bagunça" de possibilidades. Dentro dessa "bagunça", acredito que, o melhor é escolhermos o que nos faz bem.

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  2. E nesse jogo da vida, não nos deram as cartas de "dividindo as despesas". Seguimos pagando por escolhas que não escolhemos com nossa maior riqueza: nossos dias, nosso tempo... Ainda assim, sempre é tempo de começar um novo jogo e tomar uma nova dose... se embriagar de realidade e seguir no desafio de descobrir qual jogo da vida realmente nos pertence. Tim-tim! Embriagando-me em palavras por aqui! Muito bom o texto! =)

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    1. Oi Maíra,

      Pois é! Estão roubando os nossos sonhos e o nosso tempo. É duro entrar em um jogando sabendo que vai perder! (Kkkk). Só se embreagando (nos sentidos literal e figurado) para aguentar.
      Muito obrigado pelas palavras, significa muito.
      Tim-tim!

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