As três cadeiras e o florescer de um assassino
ATENÇÃO: conteúdo delicado.
Este porão escuro me remete àqueles filmes de psicopatas assassinos, clássicos hollywoodianos. Mas eu não sou um psicopata. Ou será que sou? Definitivamente não sou um assassino. Pelo menos não ainda. Isso está prestes a mudar.
Três cadeiras alinhadas à minha frente. Cada uma delas ocupada por um membro da família que mora na casa de frente à minha. Maldita família! Que prazer em vê-los assim, amarrados e com as bocas tapadas. Vulneráveis como estão agora, mal se assemelham ao bando de mal-educados, prepotentes e metidos a democratas que costumam desfilar pelas ruas do bairro, com os seus narizes apontados para o céu.
À minha esquerda, o pai. Um frouxo que se mijou inteiro de tanto medo que está sentindo. Pelo cheiro, deve ter se cagado também. Um inútil — maconheiro filho da puta — que, de tão burro, é incapaz de formar uma única frase com mais de três palavras, mas adora espernear sua opinião para todos os lados, como se fosse o especialista em qualquer assunto.
No centro, a mãe. Eu a compararia a um excremento humano ambulante, mas, confesso, eu preferiria um excremento ambulante como vizinho a essa escrota do caralho, que se acha a última bolacha do último pacote de bolachas em um mundo pós-apocalíptico.
À minha direita, a filha do casal. Se um típico adolescente já é um porre, imagina uma adolescente educada — ou quase isso — por dois energúmenos como estes? Chata para um caralho! Pensando bem, a filha é a pior dos três patetas. Ela absorveu o pior de cada um, e agora é um monstro disfarçado de anjo. Por isso, decidi começar por ela.
Até pensei em me divertir um pouco, torturá-los não me cairia nada mal, mas acho melhor ser breve. O tempo urge. Cortar as suas gargantas, limpar a sujeira e pronto. Depois, terei muito trabalho para desovar os três corpos. Pobre dos vermes, provavelmente, não terão uma digestão muito agradável.
A faca já está bem amolada, mas não custa nada amolá-la um pouco mais, só para aumentar o terror psicológico. Sim! Sim! Sim! Mil vezes sim! Como é lindo ver o desespero nos olhos desses três merdinhas! Como é lindo ver essa família de merda emplorando por suas vidas! Vamos! Não parem! Tentem escapar! Tentem gritar! Sim! Sinto-me um deus e, ah, o meu julgamento já foi feito. Morte a estes bostas! Chegada a hora da execução! Aceitem os seus destinos. Morram!
— Demônio! Desliga essa porra dessa TV e vai dormir.
— Já vou, pai! Está acabando.
— Vai dormir, caralho! Não vou falar outra vez.
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| As três cadeiras. |

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