O egoísta e a xícara

Danem-se! Danem-se o céu, o inferno e tudo que estiver entre esses dois. 

Não sou eu! A culpa não é minha! 

É a vida que não presta. 

Esses diabos não valem o que fazem no vaso. 

Não eu! 

Aqui estou, mergulhado em minha bagunça de quinquilharias. Bagunça que cultivei ao longo de tantos e tantos anos.  


Alguém à porta. Tentei escapar pela janela, mas me sobram redes e me faltam tesouras. 

Quem será? Às três da manhã? 

Pro diabo que te carregue! 

Uma, duas, três batidas. 

Foda-se! 

Eu digo e repito: que se foda! Não vou atender. Não, não, não e não!  


Outra batida. Mais duas. Três batidas. Que insistência! 

Será que aconteceu alguma coisa? 

Maldita curiosidade! 

Será que alguém está morrendo? 

Raios! 

Quem é? Vizinha? Que vizinha? 

Sei. Uma xícara de peçonha para emprestar? 

Claro! Pois não! 

Vizinho é pra essas coisas.


Xícara de chá
Chá?

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