O misterioso mistério da caverna misteriosa
O ano era 1937. Em uma pequena cidade da Argentina, propositalmente trancafiados em um quarto escuro, crianças brincavam de compasso. Sim, a brincadeira do compasso. Aquela em que os vivos evocam espíritos para um chat. O clima era uma mistura de medo, euforia e traquinagem — pura traquinagem. As crianças tentaram contato com o mundo dos mortos e, aparentemente, conseguiram.
— Tem alguém aí? — perguntou uma delas.
Misteriosamente, o compasso girou até a palavra “sí”. Papo vai, papo vem — ou seria papo foi, papo veio? Confesso que não sei, mas, enfim —, e as crianças descobriram que estavam conversando com um tal de Escobar, comandante do 18.º batalhão de infantaria das forças armadas argentinas. Segundo ele, havia falecido em 1900, servindo o seu país na 1.ª Grande Guerra Mundial.
A conversa avançava, tornando-se cada vez mais assustadora. Escobar disse que ele próprio havia procurado as crianças, pois elas eram as únicas pessoas capazes de ajudá-lo. Assombradas, as crianças se entreolharam e, no exato momento em que perguntariam como poderiam ajudá-lo, eis que alguém bate à porta do quarto. Três batidas secas, a maçaneta girando lentamente, e a porta se abriu ruidosamente, denunciando a falta de óleo nas dobradiças.
Óbvio, as crianças tomaram um susto de cair o queixo. Gritaram apavoradas, mas foram imediatamente acalentadas por uma voz doce, angelical, que lhes perguntou se estava tudo bem. Perceberam, então, que era a mãe de uma delas, dona da casa.
— Está tudo bem? — perguntou ela.
Sim, tudo estava bem. Brincavam apenas, responderam as crianças.
A doce mulher avisou que o lanche estava servido na mesa, prontinho para elas. A simples menção ao lanche foi o suficiente para que elas esquecessem de tudo, tanto do mundo terreno quanto do espiritual. Fecharam o compasso e encerraram o contato com o misterioso Escobar.
Tudo estava nos conformes. O dia passou, um novo amanheceu, e as crianças se reencontraram. Corriam serelepes em busca de aventuras, entregues à curiosidade e a brincadeiras normais. Era quarta-feira. Cavavam aqui, marretavam acolá. A diversão corria solta, e a imaginação fervilhava. Gargalhadas e zoações não faltavam. Mais gargalhadas, mais diversão. O momento era de pura alegria.
Mas o destino, sempre pronto a pregar suas peças, não tardou a atuar. Uma das crianças viu o que não deveria ter visto. Bisbilhotou tanto que encontrou uma pequena fenda em um enorme paredão de rocha calcária. Curiosos, os amigos se juntaram para examinar a tal fenda. E examinaram. Notaram que ela era a entrada de uma caverna ainda inexplorada — misteriosa e escura.
Sem instrumentos para iluminar o local, decidiram voltar no dia seguinte, munidos de lamparinas. Voltaram. Exploraram. Divertiam-se a valer até que algo surpreendeu o grupo. O que encontraram naquela caverna mudou para sempre a vida daquelas pobres crianças. Ficaram eternamente traumatizados.
Contudo, até hoje, jamais revelaram o que viram lá dentro. Ninguém sabe o que havia na caverna. Ninguém sabe, sequer, que caverna era essa. Definitivamente, ninguém sabe de nada.
Mistério!
Continua…
| Mistério. |
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