O ex-mundo do bosta
O bosta queria agradar ao mundo. Não conseguiu, se emputeceu, e descontou a sua incapacidade de agradar ao mundo em seu próprio mundo.
Seu mundo, que era a única parte do mundo que o bosta realmente agradava, se emputeceu com o emputecimento do bosta e deixou de ser o seu mundo. O bosta ficou sozinho, jururu por sua incompetência em agradar ao mundo e, ainda mais jururu, por perder o seu próprio mundo.
Agora o bosta, que já se achava um grande bosta, e por isso tentou agradar ao mundo inteiro, passou a se sentir um grandessíssimo de um bosta. Chorou, sofreu e, depois de muito refletir, descobriu que a sua verdadeira intenção não era de agradar ao mundo. O bosta queria, apenas, acariciar o seu ego.
Matutado, o bosta não se sentia mais um grandessíssimo bosta, agora ele sabia que era um grandessíssimo bosta. Pior, um grandessíssimo bosta e egoísta. Um bosta solitário. Sequer um esporo de Psilocybe cubensis, com o raiar do astro-rei após uma noite de chuva, toparia a sua companhia. Nem mesmo um Digitonthophagus gazella queria rolá-lo por léguas afora e, posteriormente, coprofagiá-lo — há limites até para um rola-bosta.
Arrependido, o bosta implorou clemência ao que costumava ser o seu mundo. Apenas parte do que costumava ser o mundo do bosta o perdoou. Inicialmente, os louros. A brilhante esperança — como contrastes de caroços de milhos aglomerados no excremento — de um futuro feliz. O sonho de reviver os anos dourados. Mas a vida é dura. Dura feito um quebra-queixo. Dura como um soco do Acelino no queixo.
O tempo passando, o sonho minguando, e o bosta notando. Notando que a parte do que costumava ser o seu mundo que o perdoou não era mais como antes. Aquela parte de mundo que ele tinha agora não era mais o seu mundo de outrora. Aquele mundo que ele conhecia bem todas as arestas, os quatro cardeais e seus entremeios.
Em seu último suspiro, o bosta tentou agradar ao mundo todo novamente. Resultado, acabou desagradando ao mundo e à parte restante do que costumava ser o seu mundo. Perdeu o seu remanesço — agora de vez. Viveu só no que lhe sobrou de vida. Ou quase só. Viveu na companhia de seus demônios. O bosta morreu sem ninguém. Um final de merda para um bosta egoísta.
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| Meu mundo e nada mais. |

Muito bom! Acho que esse texto pode ajudar vários bostas, que se achavam uns bostas, a concatenar que são uns bostas.
ResponderExcluirTexto de autoajuda para bostas. Kkkkkkkk
ExcluirNunca pensei em ficar tão emocionada com tanta bosta 🥺
ResponderExcluirQue merda né?! Kkkkkkkk
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