Era
Quando o amor alveja, cansados relicários são rebaixados a quinquilharias. Era pavão, agora, quarado, [...] agora é pálido feito pena de garça — o sol gasta.
Caso certo do certo, a parte é tão óbvia quanto relativa. Ao tempo que zás conflito, e tão zás o arrependimento, tão zás jaz a mágoa. Num zás-traz. Mas quando o arrependimento é preguiçoso, assim também sou. E se a preguiça ousa em bater à porta, chegada a hora de se pensar.
Dor, como a morte, é a única certeza. Uma imediata e a outra [...] a outra talvez. Imediata como agora. E agora. E agora. O tempo é o tempo, segue — e assim será. No fim, a dor não é o tempo. A dor ou segue, ou melhora, ou acaba. Se aos cacos ou não, pouco importa. O que vale é a saída.
Fato é, sem saber bem onde fica a saída, ando aos cacos. Aos cacos como [...] aos cacos como [...] aos cacos como pisos de cacos de lajotas de cerâmica nos quintais suburbanos do Rio de Janeiro. É, estou cansado! Cansado como se eu mesmo tivesse aplicado os cacos no chão do meu quintal.
Bateram à porta. Preciso ver quem é, mas deve ser a preguiça. Se for, chegada a hora de se pensar.
![]() |
| Cacos de lajotas. |

Comentários
Postar um comentário