Em obra

Peso pesado feito pluma. Pairando como se arcasse, nos ombros, sacas de café. Com a falsa fé de quem nunca trocou os pés pelas mãos — ao menos hoje não, ainda. Antes era diferente. Fui tonelada de algodão. Tampado de dogmas avessos. Não me envergonho, mas também não morro de graças. E por falar em graças, graças a ti hoje estou leve. Descargo de carmas que carreguei, de uma herança vil que nunca desejei. Hoje estou em obra, e amanhã também estarei. Desculpa o meu transtorno, mas é para o bem — o meu, o teu, e de todos e de tudo o que me circunda num raio terráqueo. Sigo em construção, assim sempre será. A reforma é lenta, talvez regular, mas não tenho pressa. Sou obra de igreja. 


Carma.
Carma.

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