Parvos pardais também amam

Eu, parvo pardal, afronto aos deveras fartos versadores do amor. Logo eu, pseudoplumeiro, amétrico e arrímico que vive de edsonear palavras tal qual quem acende uma lâmpada. Aquele que embuti calão dos quintos onde vier a calhar e, sobretudo, onde os impropérios são mal-quistos. Mas, como privar o verme de ser verme se isso é o que lhe concerne? Então, ouso. Do fundo das minhas entranhas, e mandando o brio pra puta que o pariu, eu ouso. Ouso porque amar é se estrebuchar com o tempo e o espaço em uma paulatina luta avesso a percepção. Dualidade entre o aqui e o acolá. Se a sinto, corre feito tempos de aperreio. Se não, lento feito tempos de remanso. Amar é se tragar na fonte da alegria e da agonia em infinda peleja pelo contento. Do regalo de um cheiro ilhado, mesmo quando o espaço lhe é alheado. Dualidade entre o aqui e o acolá, onde o acolá remete a lua que, até há um tempinho atrás, estava cheia, mas agora se esvaziou e parece uma pitomba reluzente. Amar é olhar nos olhos de quem se ama e ouvir tudo o que deve ser dito. E não há muito a se dizer. Teus olhos tagarelas dizem tudo e, ao certo, os meus respondem: eu também te amo.



Parvo pardal.
Parvo pardal.

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