Fadiga
Cansaço e corpo, meus, unificados em mim. Sou ser, esse ser que fala, e que às vezes pensa — pois pena — em não ser. Já que sou, mesmo sem querer, me sinto uma qualquer pena, que não quer que de mim sintam pena; tal qual quem depena uma ave que sequer voa. Eis o fado de quem vive da pena: sem querer e, sendo convidado, se vê obrigado a entrar em cena. Luz, câmera e verbo. De que vale um pavão depenado, senão ter pena?
Pobre pavão. Talvez, covarde que sou, continuarei a ser aquele que talvez preferiria não ser. Talvez, nem tão covarde assim, já que viver requer a coragem de ser. Mas, também, nem tão corajoso, já que morrer também exige coragem. Vivo ou morto, sou covarde e coragem. Sou a dualidade. Sou sempre dois, mas de um sou certo: sou inteiro cansaço. Queria apenas ser. Por tal, sigo sendo o que suporto ser. Até quando? Não sei. Mas sou.
Paciência. Talvez seja covardia, mesmo.
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| A lâmina. |

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