Quiromaníaco da madrugada
Justo na hora dos mortos? Viva! Ela, viva, dorme o sono dos justos; enquanto eu — ainda vivo — vivo trancafiado no banheiro, sonhando acordado em filiar-me aos homenageados dessa dita hora. Contraintuitamente, com a mão cheia de pelos, gasto, com o meu braço direito, a energia que não desprendo em nenhuma outra atividade senão a punheta.
O que me pesa é a falta que sinto da dialética socrática, que jaz junta à sua humildade inerente. Após posto exposto a relação entre o pensar e a existência, o saber da própria ignorância, que movera guaribas bípedes, foi relegado à certeza do saber. Num zás, porque o trás ficou para trás, surgiu o: penso, logo sei; quando o ideal seria: penso, logo acho. Pelo menos, eu acho. Mas isso pouco importa. Eu acho muita coisa.
Kanteneando à esquerda, penso, logo [...] acho. Se acho, logo, não tenho certeza. Mas, acho. Acho, por exemplo, que ela não sabe das minhas peripécias solitárias no banheiro durante as madrugadas de insônia. Acho. Não sei. Mas, acho. Às vezes também acho que ela sabe. Ela deve saber. Ela sabe! Ela me conhece! Ela conhece o meu cheiro! Ela me conhece tanto, mas tanto, que deve saber até em quem eu estava pensando enquanto me masturbava, apenas sentindo o cheiro daquele resquício de porra que sobrou em minha cueca. Ela sabe de tudo. Ou melhor, acho que ela sabe de tudo. Ou talvez também não saiba. Talvez, assim como eu, ela apenas ache. Ela é humilde. E enquanto sigo no achismo, sigo também gozando a insônia, tal qual tivesse voltado à adolescência.
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