Neurose

Meu cérebro pulsa a quilo. E aquilo que consumi, hoje me consome. 

Quantos vícios? 

Quantos? 

Vícios? 

Tantos! Eu nem sei. 

Se eu começar a me preocupar com isso, será meu novo vício. 

Talvez seja esse o meu drama. Se, ao menos, fosse em grama, 

talvez minha memória não fosse esse disquete.

Não sei bem como funciona. Sou leigo no assunto. 

Não sei se é pelo consumo de frutose — 

comprometo o meu ritmo por uma maçã — 

ou por osmose, 

quem sabe asquerose. 

Por que não? Eu sou um inventor.

Asquerose.

Asquerose soa bem! Não existe, mas soa bem!

Ou, quem sabe, não está na 2-desoxirribose. Sei lá?! Vai saber! 

Quem sabe não veio do meu pai. Veio da minha mãe. Ou, quem sabe, dos meus avós. 

Quem sabe? 

A única coisa que sei: a minha sobra de adenosina depende de mais uma dose.

Mais uma dose, por favor! Uma para mim e outra pro santo, não necessariamente nessa ordem. Mas a ordem foi dada: mais uma dose! Mais uma dose, mais um vício. 

Enfim, pra variar, estou me alongando sem necessidade e sem sentido, mas sentindo. Pra compensar a embromação, dessa vez serei direto: é neurose.

Recuperando o ritmo:

Frutose.

Osmose.

Asquerose.

2-desoxirribose.

Neurose.

Uma, duas, três vezes neurose. 

Um cigarro, dois, três maços de cigarro. Uma lata de cerveja, duas, três fardos de cerveja, e por aí vai. É assim: quando vê, foi! Foi e já era. Eis o fardo que carrego. Meu fardo é a minha cruz. E a minha cruz é sempre querer mais. E mais. E mais. 

Eu quero sempre mais.

Meu cérebro pulsa a quilo. E aquilo que consumi, hoje me consome. 

Quantos vícios?

Quantos? 

Vícios? 

Tantos! Eu nem sei. 

Déjà vu. Talvez. Mas esse filme eu já vi. 

Fato é, nunca serei Martin, tenho alergia a pescados. 

Mas não a todos os camarões. Vai entender?! 

Mas está tudo bem, não sou de cometer pecados. 

Mas, por favor, sem neurose. 

É mais, e mais, e mais.

Mas, sem neurose, por favor. Nem que seja por osmose, por frutose ou qualquer tipo de lise que dê jeito nesta neurose. 

Tenho um punhado de moedas por aqui, não vale um vintém; mas, se quiser, eu troco, sem drama, por algumas gramas. 

Mas, por favor, sem neurose.


Dois dedos de realidade. E o resto?
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