O misterioso mistério da caverna misteriosa — O desfecho
A todas as pessoas que esperaram ansiosamente — ou nem tanto assim — o desfecho de “O misterioso mistério da caverna misteriosa” (se ainda não leu, clique nos links para ler a Parte 1 e a Parte 2), que agora virou a saga do excêntrico milionário Ellon Jones tentando solucionar o falso mistério, a espera acabou. Todas — ou quase todas — as perguntas sem resposta serão esclarecidas nas próximas linhas deste texto.
Caso você não se lembre, o excêntrico milionário Ellon Jones não desistiu de seu sonho e seguiu tentando solucionar o mistério da caverna misteriosa. Após o insucesso na praça que homenageava o "Comandante Escobar" — que, na verdade, era o Capitão Escobar, jogador central e primeiro capitão do escrete da cidade —, Ellon Jones resolveu me ligar, implorando por alguma dica, qualquer pista que pudesse orientá-lo na continuidade de sua saga. Tentando evitar ao máximo a chatice do milionário, sugeri que ele procurasse regiões na Argentina compostas por rochas calcárias. E foi exatamente isso que ele fez. Ouviu minhas palavras e seguiu minha dica. Procurou o Serviço Geológico da Argentina (SGA), situado na capital Buenos Aires, e lá conseguiu o mapa geológico do país. Tudo bem que bastava procurar na internet para obter o tal mapa, mas o milionário, sendo excêntrico, fez questão de ir pessoalmente ao SGA para evitar possíveis enganos. Com o mapa em mãos, descobriu que a cidade de Córdoba possui formação rochosa calcária e belas cavernas associadas a esse tipo de rocha. Ellon Jones, que já não considero mais excêntrico, mas sim chato pra dedéu, pegou o celular e me ligou novamente para contar as novidades e dizer que estava a caminho da cidade para, finalmente, solucionar o caso. Como um bom ateu que sou, desejei boa sorte à sua saga e a companhia de Deus.
Ellon Jones chegou a Córdoba e procurou uma agência de turismo, contratando os serviços de um guia para acompanhá-lo em suas explorações pelas cavernas da região. O milionário visitou todas as cavernas famosas da cidade, mas nenhuma parecia ter ligação com o mistério. Após refletir bastante em seu quarto de hotel, percebeu que a caverna mencionada no texto não poderia ser uma das famosas cavernas turísticas da cidade. Não fazia sentido; não havia conexão com o caso. Em plena madrugada, Ellon Jones ligou para o guia que o acompanhava na jornada, perguntando sobre a existência de cavernas inexploradas ou pouco conhecidas na região. Inicialmente, o guia xingou Ellon Jones e o chamou de nomes que prefiro não reproduzir — embora eu concorde com o guia. Ora, precisava ligar de madrugada? Não podia esperar o amanhecer? Paciência. Retomando: o guia, após os insultos iniciais, acabou cedendo quando o milionário ofereceu uma boa quantia de dinheiro. Disse que havia, sim, cavernas pouco exploradas na região e que seria um prazer levá-lo até elas.
Assim foi feito. Após dias de exploração, Ellon Jones e o guia encontraram um grande paredão de rocha calcária com uma pequena fenda que parecia ser o portal de uma misteriosa caverna. O paredão ficava a aproximadamente um quilômetro de um pequeno vilarejo. Com o sol quase se pondo, o guia sugeriu que passassem a noite no vilarejo e voltassem à caverna no dia seguinte. Ellon Jones concordou, animado como nunca. Para ele, aquela caverna só podia ser a do texto “O misterioso mistério da caverna misteriosa”. A descrição era perfeita — pelo menos em sua cabeça, já que eu, sinceramente, me preocupei pouco em descrever o local no texto original.
Ellon Jones saiu pelo vilarejo batendo de porta em porta — inconveniente é pouco — atrás de alguma dica ou informação que pudesse ajudá-lo a solucionar o caso. Não conseguiu tirar muita coisa — ou nada — dos moradores, e suponho que nem preciso explicar os motivos.
Ainda assim, o milionário não perdeu a esperança. Estava convencido de que havia uma conspiração no vilarejo para manter a história longe do resto do mundo. Já envergonhado pela inconveniência de Ellon Jones, o guia simplesmente desapareceu. Pegou suas coisas e se escafedeu. Mas o perseverante milionário seguiu sua saga. Faltava apenas uma casa para visitar no vilarejo, e ele sentia que o segredo estava justamente ali. Respirou fundo, bateu à porta e foi atendido por um velho, quase centenário, chamado Esteban. O velho, que sempre morou no vilarejo, foi interrogado por Ellon Jones.
Ellon perguntou se Esteban conhecia a caverna no paredão próximo ao vilarejo. O velho confirmou. Perguntou, então, se ele tinha três amigos com quem brincava na infância. Mais uma resposta afirmativa. Indagou sobre a brincadeira do compasso. O velho não conhecia. Após Ellon explicar, Esteban negou novamente. Claro que Ellon Jones não acreditou. Em seguida, perguntou se o velho conheceu o "Comandante Escobar", morto em batalha. O velho negou. Mais uma vez, o milionário não acreditou.
Ao se despedir de Esteban, Ellon Jones anunciou que iria à caverna na manhã seguinte. O velho insistiu para que ele não fosse. Disse que o local era perigoso, que recentemente houve um desmoronamento e uma criança ficou gravemente ferida. Porém, determinado, Ellon Jones reafirmou que iria ao amanhecer.
Assim o fez. Chegando ao paredão, seus olhos brilharam ao avistar o portal da caverna. Uma lágrima escorreu por sua face enquanto entrava no primeiro salão. Respirou fundo, segurou a emoção e começou a explorá-la. E explorou. Percorreu salões, galerias, até que algo o surpreendeu.
O que Ellon Jones encontrou naquela caverna mudou sua vida para sempre. Ele ficou eternamente traumatizado. Até hoje, Ellon nunca disse o que viu lá dentro. Ninguém sabe. Provavelmente, nada. Ninguém sabe, sequer, se o tal Ellon Jones existe. É um mistério! E tudo acaba como começou.
| Mistério 3. |
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